"Imagino que a Expressão Artística seja inevitavelmente construída de duas porções: a Inspiração e a Execução. A Inspiração é o engajamento em algum aspecto do Universo que nos faça sentir a pulsação perene da Energia em que estamos todos embalados. A Inspiração é a nossa porção sutil, o que nos faz ir além da materialidade humana para compreender, admirar, lamentar – ou observar simplesmente – a vida.
Já a Execução é a tradução das experiências adquiridas durante a Inspiração em algo mais humano, portanto, mais físico, material e, por que não dizer, mas rústico do que a experiência – por demais sutil – da Inspiração. O trabalho do artista é traduzir a experiência intraduzível para que o não-artista possa ter uma ideia do que se vê no transe engajado da Arte.
Assim, na Execução, o artista produz algum tipo de estímulo aos sentidos comuns: a música para a audição, a dança para o movimento, a fotografia para a visão. Ele utiliza suas técnicas como meios, ou ferramentas por um objetivo final: despertar em cada indivíduo o estalo da sublimação do material. Cada um, assim, utiliza os ingredientes que cultivou dentro de si para reconstruir o caminho que levou o artista àquelas sensações. Por isso, a obra de arte conduz diferentemente cada pessoa, de forma que já quem diga que uma obra de arte são muitas.
Desta maneira, quando presencio a obra de arte, reconheço os “pedaços” daquele artista e atribuo à obra minhas partes próprias, sendo assim a experiência artística tão importante para a humanidade desde tempos remotos: fazemos arte para comunicar e principalmente, transcender.
As escolas de arte existe para ajudar o artista a desenvolver as técnicas necessárias à tradução daquela experiência, que, em si, de maneira nenhuma se pode ensinar. Ou seja: uma boa professora de arte pode ensinar as técnicas de desenho ou escultura a qualquer pessoa determinada a isso. Mas a Inspiração é uma busca incessante e pessoal: sem avaliações ou cobranças no final do semestre. E assim, muitos alunos destas escolas se sentem muito mais exigidos pela Execução do que pela Inspiração. Assim, formam-se atletas de gargantas, punhos e costas, de acordo com o esforço físico mais demandado pelo instrumento. Na insegurança de uma apresentação pública, peca-se por imaginar que o desafinado do acorde é mais perceptível do que a falta de paixão.
E é pela simples característica introspectiva da Inspiração que muitos alunos se deixam levar pelo vazio no que diz respeito a um Propósito Artístico: varre-se a sujeira para debaixo do tapete, anula-se a experiência pessoal e “engaja-se” no eterno exercício do meio sem um fim: a
Execução sem a precedente e imprescindível Inspiração.
Acredito que seja por isso que muitos alunos dos institutos de artes acreditem ser optativa a disciplina do engajamento. Fecham-se amedrontados em suas conchas acústicas e repetem a si mesmos que ele não é parte constituinte da Arte Completa."
Texto de Lilly Queers, publicado no jornal "Ô, Xavante!", feito por alunos da Unicamp.
Encontrei um monte deles em um banco do Instituto de Artes, e isso foi bem significativo naquela hora; me fez ficar menos intimidado por quem desenha melhor do que eu desenho, e confiar na minha própria criatividade.
Além disso, a chamada aliviou o resto da tensão: "bukkake, polícia, sidney magal, greve".
O lixo do fundo da estante, que você não quer e não vai ler, sendo exposto sem motivo.
28 de jan. de 2012
13 de jan. de 2012
Pálido
Queria fazer algo consistente, algo grande e bem feito, ambicioso até. Tudo bem se for até onde eu conseguir chegar hoje, com as limitações físicas e psíquicas que não dá para driblar, mas tem que acontecer.
Músicas, desenhos e textos que toquem alguém, que orgulhem quem estiver envolvido nisso.
O problema é que só a parte visual disso é solitária, só ela te permite passar dias quieto e concentrado em seus próprios pensamentos. O resto só parece ser possível com outras pessoas: músicas feitas entre amigos, textos longos que conversem entre si sobre coisa alguma ou que formem algo maior.
É difícil achar alguém que faça bem as coisas e que queira levar isso mais além do que para a própria diversão; falta alguém que não tenha medo de fazer algo que talvez não dê o retorno esperado ou que deixe de fazer sentido logo menos.
Eu sou preguiçoso e indisciplinado, mas nisso se dá um jeito. O que não dá para esperar é alguém que te acompanhe e, enquanto isso, sentir que suas mão estão atadas.
"Tristes dos que procuram dentro de si respostas, porque lá só há espera."
Músicas, desenhos e textos que toquem alguém, que orgulhem quem estiver envolvido nisso.
O problema é que só a parte visual disso é solitária, só ela te permite passar dias quieto e concentrado em seus próprios pensamentos. O resto só parece ser possível com outras pessoas: músicas feitas entre amigos, textos longos que conversem entre si sobre coisa alguma ou que formem algo maior.
É difícil achar alguém que faça bem as coisas e que queira levar isso mais além do que para a própria diversão; falta alguém que não tenha medo de fazer algo que talvez não dê o retorno esperado ou que deixe de fazer sentido logo menos.
Eu sou preguiçoso e indisciplinado, mas nisso se dá um jeito. O que não dá para esperar é alguém que te acompanhe e, enquanto isso, sentir que suas mão estão atadas.
"Tristes dos que procuram dentro de si respostas, porque lá só há espera."
25 de dez. de 2011
Sem título
Descobri nesses dois dias que a internet não é um lugar para ser visitado durante o natal: de um lado, os engraçadões que não perdem a chance de fazer uma piadinha depreciativa e sagaz com qualquer coisa e que acabam se tornando eles mesmos o tio do pavê (maior mazela da vida do ser humano desde a criação do pavê, aparentemente); do outro, as pessoas que, em algum momento da vida, tiveram algum trauma que tirou a graça da data e que acreditam que a missão maior de sua vida é alertar o resto dos homens da hipocrisia da comemoração, etc etc. No meio disso, as pessoas que vem falar de religião, mas isso deixou de ter alguma credibilidade quando compararam papai noel a jesus.
Enfim, cada um gosta do que quer, mas é muita falta de amor no coração dizer que tu torce pra isso acabar para poder parar de fingir que está feliz e voltar para casa, ouvir Bob Dylan e acabar com essa falsidzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
Até o Mastodon gosta do natal, forte abs.
Enfim, cada um gosta do que quer, mas é muita falta de amor no coração dizer que tu torce pra isso acabar para poder parar de fingir que está feliz e voltar para casa, ouvir Bob Dylan e acabar com essa falsidzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
Até o Mastodon gosta do natal, forte abs.
20 de dez. de 2011
Vinte e um
Tem gente que se preocupa tanto em descolar um sentido imediato pras coisas que não entende que, às vezes, você tem que prestar atenção e se esforçar para tirar o que vale a pena de um monte de (ditas) baboseiras.
“Por que isso vai ser útil pra mim, hein?”
“Cala a boca e ouve, tu vai se surpreender.”
Não tem nada pior que má vontade em aprender, nego que rejeita coisas que não entende por ser de fato imbecil ou por achar que é inteligente, o que vem com o combo veia cômica afiada + preconceito disfarçado de alta cultura.
Típico pinta que faz questão de exaltar o lugar-comum de qualquer arte, mas menospreza o que é um pouquinho mais difícil de entender.
Enfim, por que eu me preocupo com isso, mesmo?
“Por que isso vai ser útil pra mim, hein?”
“Cala a boca e ouve, tu vai se surpreender.”
Não tem nada pior que má vontade em aprender, nego que rejeita coisas que não entende por ser de fato imbecil ou por achar que é inteligente, o que vem com o combo veia cômica afiada + preconceito disfarçado de alta cultura.
Típico pinta que faz questão de exaltar o lugar-comum de qualquer arte, mas menospreza o que é um pouquinho mais difícil de entender.
Enfim, por que eu me preocupo com isso, mesmo?
14 de dez. de 2011
Mastodonte
Sua amiga chegou e ficou perto de nós dois, e ela não fez menção nenhuma de nós apresentar; ao invés disso, foi olhar alguma coisa longe dali. Eu fiquei sozinho com ela e sabia que seu nome era Ana Carla, só que mesmo assim:
“E aí, tudo bom?”
“Bom, e você?”
“Também, como é seu nome mesmo?”
“Emanuela... difícil guardar, né?”
“Vou lembrar, prazer”
“Prazer, Larissa”
____________________
Sonhei com isso e com certeza foi mais interessante em minha cabeça, mas não custa nada deixar escrito. Às vezes é bom pensar em algo que não faz sentido.
“E aí, tudo bom?”
“Bom, e você?”
“Também, como é seu nome mesmo?”
“Emanuela... difícil guardar, né?”
“Vou lembrar, prazer”
“Prazer, Larissa”
____________________
Sonhei com isso e com certeza foi mais interessante em minha cabeça, mas não custa nada deixar escrito. Às vezes é bom pensar em algo que não faz sentido.
1 de dez. de 2011
Ordinário
Há quase dois anos eu estava começando a gostar de Wilco, numa quarta-feira em que eu passei a noite inteira ouvindo e tocando ‘Misunderstood’, emulando pela primeira vez, com o violão alto no peito e os berros finais, Jeff Tweedy.
Desde então é uma das minhas bandas preferidas, se não for a preferida.
Eu ouvi feito bobo qualquer coisa que eu pudesse encontrar deles e gostava de ir cada vez mais fundo, descobrindo qual era a melhor versão ao vivo de cada música e quais os b-sides e demos valiam a pena.
Agora, de uns tempos pra cá, eu descobri o Black Drawing Chalks. “Music to drink, dance and fuck”, e só isso: não tem pretensão de ser bonito e nem certeiro em cada verso, descarta a necessidade de colocar tudo em termos sutis e sublimes e ao invés de acertar seu coração, te acerta logo na cara para te acordar um pouco pra vida.
Eu não preciso pegar meu violão e apertar a correia para tocar isso, eu só preciso colocar minha guitarra lá embaixo e fazer o máximo de barulho que conseguir.
É um som tão simples, fácil e divertido que me faz colocar em xeque o tempo que eu passei me dedicando ao Wilco e a importância que a música deles de fato tem para mim.
Mas eu esqueci que chega uma hora em que tudo perde uma parte do sentido e da força sobre você, e com o Black Drawing Chalks não foi diferente: assim como o Wilco eles foram caminhando devagar (ou nem tanto) para o seu ápice, seu maior momento de significado, algo como o ponto em que eu sempre quis chegar depois de seguir esse ou aquele caminho.
Depois disso as coisas se desgastam e você (eu) precisa voltar para as outras coisas que, há tempos, estavam esquecidas; recuperar o significado e a importância que, quando colocados a prova, mostram sua força.
Acaba que, de pouquinho em pouquinho, consegui conciliar os dois sem preferência por nenhum. Cada um com seu próprio sentido, cada um com o som que se encaixa em cada momento, e é isso o que torna tudo interessante; às vezes ouvir sobre o amor te diz mais, às vezes não.
Desde então é uma das minhas bandas preferidas, se não for a preferida.
Eu ouvi feito bobo qualquer coisa que eu pudesse encontrar deles e gostava de ir cada vez mais fundo, descobrindo qual era a melhor versão ao vivo de cada música e quais os b-sides e demos valiam a pena.
Agora, de uns tempos pra cá, eu descobri o Black Drawing Chalks. “Music to drink, dance and fuck”, e só isso: não tem pretensão de ser bonito e nem certeiro em cada verso, descarta a necessidade de colocar tudo em termos sutis e sublimes e ao invés de acertar seu coração, te acerta logo na cara para te acordar um pouco pra vida.
Eu não preciso pegar meu violão e apertar a correia para tocar isso, eu só preciso colocar minha guitarra lá embaixo e fazer o máximo de barulho que conseguir.
É um som tão simples, fácil e divertido que me faz colocar em xeque o tempo que eu passei me dedicando ao Wilco e a importância que a música deles de fato tem para mim.
Mas eu esqueci que chega uma hora em que tudo perde uma parte do sentido e da força sobre você, e com o Black Drawing Chalks não foi diferente: assim como o Wilco eles foram caminhando devagar (ou nem tanto) para o seu ápice, seu maior momento de significado, algo como o ponto em que eu sempre quis chegar depois de seguir esse ou aquele caminho.
Depois disso as coisas se desgastam e você (eu) precisa voltar para as outras coisas que, há tempos, estavam esquecidas; recuperar o significado e a importância que, quando colocados a prova, mostram sua força.
Acaba que, de pouquinho em pouquinho, consegui conciliar os dois sem preferência por nenhum. Cada um com seu próprio sentido, cada um com o som que se encaixa em cada momento, e é isso o que torna tudo interessante; às vezes ouvir sobre o amor te diz mais, às vezes não.
16 de nov. de 2011
Belezza
Mais de mês sem escrever.
Não que eu faça isso só para reclamar, mas nesse tempo eu resolvi cada picuinha que foi aparecendo sozinho, sem necessidade de um texto retratando os maiores problemas do país (no que diz respeito ao meu quarto), seja para chegar a uma conclusão pacificadora ou só para expurgar a frustração mesmo.
Fui largando mão das coisas que me enchiam, parei de ligar para as pessoas que não iam dar retorno e, de pouquinho em pouquinho, voltei a ficar confortável na minha própria pele de novo.
Resolvi colocar coisas em prática também, e aprendi a pescar ideias ao invés de esperar elas virem milagrosamente, trabalhar nelas feito um filho da puta e a pensar em termos mais longos do que um desenho apenas. Coisa de projetos, etc etc.
Tirando isso (frescuras), fui no SWU. Me senti lá de facto quando ouvi o começo de ‘666 Conducer’, do Black Rebel Motorcycle Club, só fui entender que ia ver os caras do Sonic Youth quando faltava cinco minutos para começar e gritei ‘Porra! Caralho!’ o mais alto que consegui no Faith No More.
Além disso, foi bacana passar frio, tomar chuva, agonizar do Megadeth ao Alice In Chains (que serviu pra dar um cochilo esperto) e pisar em uma mistura formidável de barro com mijo a maior parte do tempo.
Agora é manter as más vibrações e conquistar cada vez mais vitórias para o meu histórico na escola da vida. Rumo ao segundo lugar.
Não que eu faça isso só para reclamar, mas nesse tempo eu resolvi cada picuinha que foi aparecendo sozinho, sem necessidade de um texto retratando os maiores problemas do país (no que diz respeito ao meu quarto), seja para chegar a uma conclusão pacificadora ou só para expurgar a frustração mesmo.
Fui largando mão das coisas que me enchiam, parei de ligar para as pessoas que não iam dar retorno e, de pouquinho em pouquinho, voltei a ficar confortável na minha própria pele de novo.
Resolvi colocar coisas em prática também, e aprendi a pescar ideias ao invés de esperar elas virem milagrosamente, trabalhar nelas feito um filho da puta e a pensar em termos mais longos do que um desenho apenas. Coisa de projetos, etc etc.
Tirando isso (frescuras), fui no SWU. Me senti lá de facto quando ouvi o começo de ‘666 Conducer’, do Black Rebel Motorcycle Club, só fui entender que ia ver os caras do Sonic Youth quando faltava cinco minutos para começar e gritei ‘Porra! Caralho!’ o mais alto que consegui no Faith No More.
Além disso, foi bacana passar frio, tomar chuva, agonizar do Megadeth ao Alice In Chains (que serviu pra dar um cochilo esperto) e pisar em uma mistura formidável de barro com mijo a maior parte do tempo.
Agora é manter as más vibrações e conquistar cada vez mais vitórias para o meu histórico na escola da vida. Rumo ao segundo lugar.
3 de out. de 2011
Consolação
Então que eu fui ao MASP e, enquanto esperava minha companhia fazer anotações que eu não li sobre Cézanne, vi um quadro de Duke Lee, um retrato que mais parecia um desenho gigantesco e psicodélico. Se isso não é vitória, eu não sei de mais nada.
Os traços eram fluidos e eu fiquei dez minutos olhando para as mãos do retratado, tentando imaginar aquele maldito desenhando cada dedo cruzado em um movimento único e rápido; eu diria que é cheio de espontaneidade, mas de acordo com uma mulher que dá aulas de teoria da arte há trinta anos isso não existe e eu sou idiota por acreditar que sim. Nada como dar sua opinião em voz alta, não é mesmo?
Enfim, apesar de ser uma máquina fria de impressão em massa sem sentimentos, Duke Lee me cativou com esse quadro de um jeito absurdo; ao lado de monstros da pintura, eu só falava dele, e voltava para lá sempre que podia. Ver um original de Dalí não me emocionou tanto quanto aquele senhor de bigode e terno.
Esse quadro foi o gatilho de sensações que começaram a surgir com os desenhos de pessoas que não conheço e o meu próprio no caderno da minha amiga, mais cedo; nada que dê para definir com palavras ou entender por que aconteceu, apenas a consciência de que, bom, suas opiniões e olhares sobre o que você faz já não fazem sentido. Está na hora de começar a buscar novas referências e experimentar novas coisas.
Acho que tudo que não faz parte do seu mundo, tudo o que vem de fora e que acrescenta vai te deixar com essa sensação de vazio: ou você se sente menor por não saber o que fazer para atingir essa nova visão e se equiparar a quem te inspira, ou você se sente muito bem sabendo que ainda há muito que descobrir para preencher isso. Ou os dois, ao mesmo tempo, te colocando naquela crise existencial vencedora; se você der sorte de isso acontecer em um domingo, pode apreciar o Faustão te dando um empurrãozinho em seu caminho para o ÂMAGO da sua alma.
Sobreviver a esse tipo de provação te faz ver que, assim como o quadro de Duke Lee ou o desenho bonitinho de uma japonesinha que você não consegue imitar por nada, as pessoas tem essa mesma força para mudar o seu modo de ver as coisas. Pelo menos as suas coisas, e de um jeito tão inesperado e marcante quanto olhinhos brilhantes e traços assustadoramente retos.
Pra ser “honesto a valer”, vá lá: cada uma das pessoas que estiveram comigo nesse sábado, na Capital, tiveram esse valor para mim; cada um acrescentou algo e me mostrou opiniões sobre as coisas mais banais da vida e sobre si mesmo; cada um se abriu o tanto que se sentiu confortável, e eu aproveitei de todos o quanto consegui.
Se eu tive tanto impacto na vida alheia, não sei, e sinceramente não me interessa: a oportunidade de abrir o escopo vale mais do que a incerteza de sua importância.
Sinceridade reveladora e expositiva demais, pode ser; eu não costumo dizer esse tipo de coisa para quem eu vi e me viu uma só vez, e talvez nunca mais. Mas por que não correr o risco de pintar que você ama todo mundo? Aguardo risinhos cretinos e todos cortando relações comigo de um modo não muito sutil.
No mais, tudo bem, vou para sempre ter o e-mail do Duke Lee.
Os traços eram fluidos e eu fiquei dez minutos olhando para as mãos do retratado, tentando imaginar aquele maldito desenhando cada dedo cruzado em um movimento único e rápido; eu diria que é cheio de espontaneidade, mas de acordo com uma mulher que dá aulas de teoria da arte há trinta anos isso não existe e eu sou idiota por acreditar que sim. Nada como dar sua opinião em voz alta, não é mesmo?
Enfim, apesar de ser uma máquina fria de impressão em massa sem sentimentos, Duke Lee me cativou com esse quadro de um jeito absurdo; ao lado de monstros da pintura, eu só falava dele, e voltava para lá sempre que podia. Ver um original de Dalí não me emocionou tanto quanto aquele senhor de bigode e terno.
Esse quadro foi o gatilho de sensações que começaram a surgir com os desenhos de pessoas que não conheço e o meu próprio no caderno da minha amiga, mais cedo; nada que dê para definir com palavras ou entender por que aconteceu, apenas a consciência de que, bom, suas opiniões e olhares sobre o que você faz já não fazem sentido. Está na hora de começar a buscar novas referências e experimentar novas coisas.
Acho que tudo que não faz parte do seu mundo, tudo o que vem de fora e que acrescenta vai te deixar com essa sensação de vazio: ou você se sente menor por não saber o que fazer para atingir essa nova visão e se equiparar a quem te inspira, ou você se sente muito bem sabendo que ainda há muito que descobrir para preencher isso. Ou os dois, ao mesmo tempo, te colocando naquela crise existencial vencedora; se você der sorte de isso acontecer em um domingo, pode apreciar o Faustão te dando um empurrãozinho em seu caminho para o ÂMAGO da sua alma.
Sobreviver a esse tipo de provação te faz ver que, assim como o quadro de Duke Lee ou o desenho bonitinho de uma japonesinha que você não consegue imitar por nada, as pessoas tem essa mesma força para mudar o seu modo de ver as coisas. Pelo menos as suas coisas, e de um jeito tão inesperado e marcante quanto olhinhos brilhantes e traços assustadoramente retos.
Pra ser “honesto a valer”, vá lá: cada uma das pessoas que estiveram comigo nesse sábado, na Capital, tiveram esse valor para mim; cada um acrescentou algo e me mostrou opiniões sobre as coisas mais banais da vida e sobre si mesmo; cada um se abriu o tanto que se sentiu confortável, e eu aproveitei de todos o quanto consegui.
Se eu tive tanto impacto na vida alheia, não sei, e sinceramente não me interessa: a oportunidade de abrir o escopo vale mais do que a incerteza de sua importância.
Sinceridade reveladora e expositiva demais, pode ser; eu não costumo dizer esse tipo de coisa para quem eu vi e me viu uma só vez, e talvez nunca mais. Mas por que não correr o risco de pintar que você ama todo mundo? Aguardo risinhos cretinos e todos cortando relações comigo de um modo não muito sutil.
No mais, tudo bem, vou para sempre ter o e-mail do Duke Lee.
27 de set. de 2011
V.
“De alguma forma, tudo se ligava a uma história que ouvira certa vez, sobre um menino que nascera com um parafuso de ouro no lugar do umbigo. Durante vinte anos, ele consulta médicos e especialistas em todo mundo, tentando livrar-se do tal parafuso, sem sucesso. Finalmente, no Haiti, encontra um feiticeiro de vudu que lhe dá uma beberagem malcheirosa. Ele bebe, dorme e tem um sonho. No sonho, vê-se numa rua iluminada por lâmpadas verdes. Seguindo as instruções do feiticeiro, dobra duas vezes à direita e uma à esquerda, partindo de seu ponto de origem, encontra uma árvore junto à sétima lâmpada de rua, toda coberta com balões coloridos. No quarto galho de baixo para cima há um balão vermelho; ele o estoura e lá dentro há uma chave de fenda com cabo de plástico amarelo. Com a chave de fenda, remove o parafuso da barriga, e assim que isso acontece ele acorda do sonho. É de manhã. Ele olha para o umbigo, o parafuso desapareceu. A maldição de vinte anos foi finalmente suspensa. Delirante de alegria, ele salta da cama, e sua bunda cai.”
16 de set. de 2011
Marromenos
Quanto mais fotos de repúblicas mequetrefes-porém-cheias-das-boas-vibes e festinhas com sangue de boi e amor no coração, comentários sobre trabalhos cansativos e prazos estressantes que ai meu deus, aquele professor maldito não podia ter dado; a cada relato dessa vida de quem estuda fora, proporcionados pela maior rede social do século XXI nesse ano (o facebook), um pensamento vencedor me passa pela cabeça, sempre: eu vou dar conta de lavar minhas roupas à tempo? Porque eu sinto que sou o tipo de cara que vai usar sunga para não ter que apertar três botões, etc etc.
Nesses tempos confusos eu tenho pensado nessa de ser maduro para as coisas. Parece que entrar na faculdade te coloca uma aura ao redor, que suga teu quinhão de besteira para sempre e substitui por uma necessidade bocó de ser categórico o tempo todo e se afastar de quem, hahaha, não está acima da nota de corte.
A cena padrão dos últimos tempos, ouvir de quem nasceu uma primavera antes de mim um cretino “você ainda tem muito que aprender da vida”. Não deixa de ser verdade, admito: eu mal sei escrever um texto com coerência entre os parágrafos, lá vou saber todas as manhas desse jogo fundamental? O que incomoda é a pompa, o ar de deboche; é aquele filho da puta que gosta de Lars von Trier e se acha especial por isso, te pintando como um débil mental para todo mundo na mesa.
Questão de não ser imbecil, mas também não ser cabaço.
Nesses tempos confusos eu tenho pensado nessa de ser maduro para as coisas. Parece que entrar na faculdade te coloca uma aura ao redor, que suga teu quinhão de besteira para sempre e substitui por uma necessidade bocó de ser categórico o tempo todo e se afastar de quem, hahaha, não está acima da nota de corte.
A cena padrão dos últimos tempos, ouvir de quem nasceu uma primavera antes de mim um cretino “você ainda tem muito que aprender da vida”. Não deixa de ser verdade, admito: eu mal sei escrever um texto com coerência entre os parágrafos, lá vou saber todas as manhas desse jogo fundamental? O que incomoda é a pompa, o ar de deboche; é aquele filho da puta que gosta de Lars von Trier e se acha especial por isso, te pintando como um débil mental para todo mundo na mesa.
Questão de não ser imbecil, mas também não ser cabaço.
10 de set. de 2011
Menos frases sacais, mais palavrões em caixa alta
Lendo uns posts antigos, vejo como meus textos deixaram de ser “confortáveis” para se tornarem áridos, distantes e simbólicos demais; falam mais da vida do que sobre mim, e de um modo tão distante e geral que às vezes eu tenho que puxar na memória, com muito esforço, o que eu queria dizer de fato com isso ou aquilo.
Pode parecer egocentrismo achar que a impessoalidade é uma falha, mas o espaço está aqui para isso, acho. Quando eu leio o blog de alguém, conhecido ou não, eu espero ver alguma parte significativa da pessoa; algo que seja íntimo, mas não necessariamente profundo.
Certo que, ao mesmo tempo que com as palavras eu venho sendo mais conciso, a exposição do que eu sinto é bem maior, em um nível pessoal. Só preciso aprender a remediar os dois, mas sem muito exagero, como agora.
E eu não posso fingir que não sei os motivos, porque eu sei: é a vontade de ser certeiro e muito inteligente e muito legal, para se equiparar ao resto da rede mundial no quesito “amargurado com a vida só que de um modo irônico e produtivo”. Tem funcionado tão bem que, na falta de alguém pra achar isso bobo, eu faço as vezes.
Simplicidade, mas não sequidão; não embelezar demais, mas não tirar demais.
Todo texto, no fundo, é só uma conversa de boteco. Se tu não se sente feliz relembrando cada uma, é porque alguma coisa tem que mudar.
Pode parecer egocentrismo achar que a impessoalidade é uma falha, mas o espaço está aqui para isso, acho. Quando eu leio o blog de alguém, conhecido ou não, eu espero ver alguma parte significativa da pessoa; algo que seja íntimo, mas não necessariamente profundo.
Certo que, ao mesmo tempo que com as palavras eu venho sendo mais conciso, a exposição do que eu sinto é bem maior, em um nível pessoal. Só preciso aprender a remediar os dois, mas sem muito exagero, como agora.
E eu não posso fingir que não sei os motivos, porque eu sei: é a vontade de ser certeiro e muito inteligente e muito legal, para se equiparar ao resto da rede mundial no quesito “amargurado com a vida só que de um modo irônico e produtivo”. Tem funcionado tão bem que, na falta de alguém pra achar isso bobo, eu faço as vezes.
Simplicidade, mas não sequidão; não embelezar demais, mas não tirar demais.
Todo texto, no fundo, é só uma conversa de boteco. Se tu não se sente feliz relembrando cada uma, é porque alguma coisa tem que mudar.
Flutuando no espaço
“Tem vezes que não dá para fazer nada; o que te sobra é ler, ouvir, tocar, assistir... colher material para produzir mais coisas. Você passa tanto tempo recolhendo referências e sentimentos, para jogar tudo de uma vez no papel. E depois desse tempo mínimo de ação, vem uma sensação de vazio, como se você já tivesse tirado todo o sentido do momento: a banda que resumia tudo começa a ficar insuportável, os traços que você passou tanto tempo aperfeiçoando, tu não gosta nem de lembrar, e todos os princípios de música parecem bobos.”
Tu compra novos livros, baixa novas bandas e conhece novos artistas; vai para frente. Mas o espaço de tempo entre esses momentos deixa qualquer um com a cara no chão.
Tu compra novos livros, baixa novas bandas e conhece novos artistas; vai para frente. Mas o espaço de tempo entre esses momentos deixa qualquer um com a cara no chão.
30 de ago. de 2011
Inacabado
“Você sempre conseguiu escrever tudo o que eu sinto, sabia? Com poucas firulas, ainda; eu acho isso o mais legal.”
“É o meu jeito de escrever, só isso; não gosto de me esconder atrás de palavras difíceis e enfeites, construções confusas, coisas assim... Que bom que você gosta.”
“E os sentimentos? Explica os sentimentos.”
“Eu só presto atenção nas coisas que você diz. Elas fazem sentido para mim também.”
“Quais coisas que eu digo?”
“As pequenas coisas. Às vezes eu acho que você nem se toca de que uma frase sua me rende um texto todo, assim na hora.”
“Não mesmo... É engraçado isso, né, é tipo aquela pessoa que senta com você no bar, e vai embora toda feliz de ter te conhecido...”
“Sendo que talvez você nem tenha guardado o nome dela.”
“Isso. Mas enfim, você estava falando sobre seus textos.”
“Acho que é só isso, sabe. Tudo o que eu faço é desse jeito, coisinhas que ficam na minha cabeça e... Eu penso bastante nelas.”
“É o meu jeito de escrever, só isso; não gosto de me esconder atrás de palavras difíceis e enfeites, construções confusas, coisas assim... Que bom que você gosta.”
“E os sentimentos? Explica os sentimentos.”
“Eu só presto atenção nas coisas que você diz. Elas fazem sentido para mim também.”
“Quais coisas que eu digo?”
“As pequenas coisas. Às vezes eu acho que você nem se toca de que uma frase sua me rende um texto todo, assim na hora.”
“Não mesmo... É engraçado isso, né, é tipo aquela pessoa que senta com você no bar, e vai embora toda feliz de ter te conhecido...”
“Sendo que talvez você nem tenha guardado o nome dela.”
“Isso. Mas enfim, você estava falando sobre seus textos.”
“Acho que é só isso, sabe. Tudo o que eu faço é desse jeito, coisinhas que ficam na minha cabeça e... Eu penso bastante nelas.”
2 de ago. de 2011
Piauí
“A noite já está naquelas quando ela chega. Três garrafas de cerveja e um drink de mocinha já foram, além de duas porções monumentais de mandioca. Todos já estão satisfeitos e agora ficam só nos suquinhos e refrigerantes, de leve. O que interessa agora é a conversa, as companhias por elas mesmas, e essa é a hora em que tudo está no prumo: todos prestando atenção e falando e discutindo; todos submersos em um assunto que, ele não sabia, seria tão bem recebido. Ela não se lembra dele, ele sabe ou acha que sabe, mas ele se lembra dela. Não porque a marca que ela deixou foi algo além de algumas noites de sono perdido e alguns minutos sem conseguir pensar muito bem, mas porque qualquer coisinha miúda que cruza seu caminho e chama sua atenção, ele se lembra. É assim. Poderia dizer algumas bandas de que ela gostava, filmes, músicas e versos que ela achava bonitos. Ela não sabia nem ao menos o seu nome. Foi embora, se perdeu em memórias mais importantes. Ou talvez não. Agora as dúvidas começam a borbulhar na cabeça a cada olhadinha que ela dá por sobre o ombro toda vez que ele e seus amigos citam alguma passagem de um monte de filmes que, às vezes, ele nem conhecia. Uma situação de reação instantânea do olho em função das palavras. Aquele estranhamento seguido de interesse que nos toma quando alguém fala de algo tão querido por nós, mas não para nós. A vontade não de ouvir por ouvir, mas a vontade de ser parte da conversa e poder dizer tudo o que você pensa sobre o assunto em questão.”
Um texto que fiz em junho.
Começa falando de uma coisa e termina falando de outra, porque na verdade não está terminado. E nem vai terminar; perdi toda aquela neurose que motivava a escrever no dia seguinte ao acontecido e no fim, isso é bom.
Um texto que fiz em junho.
Começa falando de uma coisa e termina falando de outra, porque na verdade não está terminado. E nem vai terminar; perdi toda aquela neurose que motivava a escrever no dia seguinte ao acontecido e no fim, isso é bom.
28 de jul. de 2011
Tupelo
Às vezes você deixa pessoas para lá sem nem perceber. Não de um jeito malvado ou ruim, você apenas se acostuma a ela e não sente mais a obrigação de ser agradável, prestativo ou presente; você sabe que, agora que a amizade já se “assentou”, não tem mais essa necessidade de se mostrar o tempo todo para conseguir aquele formidável lugar no lado esquerdo do peito do cidadão.
Mas não tão sutil quanto isso, que acontece sem você nem perceber, é quando você lembra que a pessoa está lá, e que você gosta dela.
Quando isso acontece, eu quero saber tudo o que vem rolando o mais rápido possível; arrumo desculpas para comentários sagazes e assuntos que, eu sei por experiência, vão render pelos menos um pouco. Só para matar a saudade, se a amizade for distante (e eu não falo de metros).
Comigo, qualquer coisinha é suficiente para deixar afobado em querer só mostrar serviço, apesar do silêncio; para deixar essa sensação de nostalgia por umas horas ou por uns bons dias.
Uma foto, um comentário, um vídeo, e é o resto da tarde remoendo... um sonho, um texto longo, uma conversa rápida, e lá se vai o resto da semana nisso, com o cuidado de parar um pouquinho para relaxar, porque sempre existe o risco de acabar parecendo um idiota.
Mas não tão sutil quanto isso, que acontece sem você nem perceber, é quando você lembra que a pessoa está lá, e que você gosta dela.
Quando isso acontece, eu quero saber tudo o que vem rolando o mais rápido possível; arrumo desculpas para comentários sagazes e assuntos que, eu sei por experiência, vão render pelos menos um pouco. Só para matar a saudade, se a amizade for distante (e eu não falo de metros).
Comigo, qualquer coisinha é suficiente para deixar afobado em querer só mostrar serviço, apesar do silêncio; para deixar essa sensação de nostalgia por umas horas ou por uns bons dias.
Uma foto, um comentário, um vídeo, e é o resto da tarde remoendo... um sonho, um texto longo, uma conversa rápida, e lá se vai o resto da semana nisso, com o cuidado de parar um pouquinho para relaxar, porque sempre existe o risco de acabar parecendo um idiota.
11 de jul. de 2011
Uma página sem desenhos
Quadro 1
"Você tem que ser bom para conseguir fazer algo totalmente no improviso quando isso envolve escrita ou desenho, sabe? As teclas parecem mais pesadas de se bater e o lápis não se segura na sua mão; o esforço parece hercúleo."
Quadro 2
"Tudo fica mais claro quando as ideias vêm de antes, muito antes. Vão fervilhando na sua cabeça e o que separa você do resultado final é o tempo de se sentar e trabalhar naquilo."
Quadro 3
"Nada de dúvidas ou entraves, apenas possibilidades se abrindo conforme o esforço e atenção colocados."
Quadro 4
"Às vezes, as coisas são ditas cedo demais, e daí ficam sem uma conclusão."
Quadro 5
(nesses casos, você encerra com um desenho bem bonito que cobre tudo; isso acaba fazendo uma piadinha com a própria situação e todo mundo acha interessante e bem pensado).
"Você tem que ser bom para conseguir fazer algo totalmente no improviso quando isso envolve escrita ou desenho, sabe? As teclas parecem mais pesadas de se bater e o lápis não se segura na sua mão; o esforço parece hercúleo."
Quadro 2
"Tudo fica mais claro quando as ideias vêm de antes, muito antes. Vão fervilhando na sua cabeça e o que separa você do resultado final é o tempo de se sentar e trabalhar naquilo."
Quadro 3
"Nada de dúvidas ou entraves, apenas possibilidades se abrindo conforme o esforço e atenção colocados."
Quadro 4
"Às vezes, as coisas são ditas cedo demais, e daí ficam sem uma conclusão."
Quadro 5
(nesses casos, você encerra com um desenho bem bonito que cobre tudo; isso acaba fazendo uma piadinha com a própria situação e todo mundo acha interessante e bem pensado).
13 de jun. de 2011
Sobre pescar, com toda a paciência do mundo
Eu ia escrever um texto sobre o quanto eu teimo em transformar em problemas e incertezas situações que deveriam somente me deixar feliz.
Falar sobre o quanto eu fico excitado vendo uma colega que não via há tempos tocando, e o quanto ela cresceu na técnica e na presença.
O gosto de ver gente que não se sente intimidada por coisa alguma fazendo música, ainda mais tão próxima.
Sobre o quanto, ao mesmo tempo, isso me deixa inseguro em relação a mim mesmo, que tenho muito medo e muita vergonha de fazer o que eu faço melhor, perto dos outros.
Ainda, sobre o quanto é frustrante não poder fazer da dedicação ao instrumento uma opção, porque agora qualquer tempo que passo fazendo algo que não seja obrigação não é feito sem dois terços da cabeça pensando nessas tais coisas que eu tenho que fazer.
Há uns tempos, também, eu decidi que não iria atrás de desenvolver a técnica de um jeito artificial, na falta de outra palavra; sem decorar escalas ou treinar a agilidade nos dedos. Isso vem com o tempo e eu faço o máximo que consigo nas limitações de agora. É assim que se desenvolve de verdade, para mim: chegar ao limite do que você tem, para aí andar para frente.
É comodismo ou desculpa para massagear meu ego de suposto bom músico? Talvez.
E se for assim, cadê meu máximo prometido? Faz um bom tempo que estou esperando, viu.
Era sobre isso que eu queria falar.
Falar sobre o quanto eu fico excitado vendo uma colega que não via há tempos tocando, e o quanto ela cresceu na técnica e na presença.
O gosto de ver gente que não se sente intimidada por coisa alguma fazendo música, ainda mais tão próxima.
Sobre o quanto, ao mesmo tempo, isso me deixa inseguro em relação a mim mesmo, que tenho muito medo e muita vergonha de fazer o que eu faço melhor, perto dos outros.
Ainda, sobre o quanto é frustrante não poder fazer da dedicação ao instrumento uma opção, porque agora qualquer tempo que passo fazendo algo que não seja obrigação não é feito sem dois terços da cabeça pensando nessas tais coisas que eu tenho que fazer.
Há uns tempos, também, eu decidi que não iria atrás de desenvolver a técnica de um jeito artificial, na falta de outra palavra; sem decorar escalas ou treinar a agilidade nos dedos. Isso vem com o tempo e eu faço o máximo que consigo nas limitações de agora. É assim que se desenvolve de verdade, para mim: chegar ao limite do que você tem, para aí andar para frente.
É comodismo ou desculpa para massagear meu ego de suposto bom músico? Talvez.
E se for assim, cadê meu máximo prometido? Faz um bom tempo que estou esperando, viu.
Era sobre isso que eu queria falar.
23 de mai. de 2011
"Não tem problema...
...de bosta em bosta a gente chega lá"
Disse Tia Karin, minha primeira professora de desenho, em resposta a uma nova colega que me emprestou seus lápis de cor e me ensinou a pintar usando o paninho.
Ainda ganhei uns pedaços de maçã, um suco para tomar sem medo de engordar (palavras dela) e gostaram do meu desenho.
Só espero as próximas segundas-feiras.
Disse Tia Karin, minha primeira professora de desenho, em resposta a uma nova colega que me emprestou seus lápis de cor e me ensinou a pintar usando o paninho.
Ainda ganhei uns pedaços de maçã, um suco para tomar sem medo de engordar (palavras dela) e gostaram do meu desenho.
Só espero as próximas segundas-feiras.
22 de mai. de 2011
Meu véi, descomplica
Viu como é fácil encher a cabeça de dúvidas?
Se eu toco devagar, foda-se.
Só não vale ficar remoendo sobre isso, hein.
Tem que ir lá e fazer.
Se eu toco devagar, foda-se.
Só não vale ficar remoendo sobre isso, hein.
Tem que ir lá e fazer.
3 de mai. de 2011
Cores voltando
Desde ontem, acho que desenhei mais e com mais atenção, do que nos últimos quatro meses.
Desenho algo, e fico pensando sobre: como deve mudar, o que eu poderia continuar usando, o que eu já deveria ter descartado de vez... Muita preocupação à toa? Talvez, mas vamo que vamo.
Também tenho tentado ver os desenhos de outros artistas com mais atenção, de uma forma mais didática, acho, para ver se consigo entender como eles desenvolvem, como pensam nas coisas, e também para adotar alguns traços deles, para mim. O nome disso é copiar, mas parece que é socialmente aceito nesse meio loko das artes.
A conclusão que eu chego é que é muito difícil fazer coisas por você mesmo, definir um estilo próprio e isso ainda te agradar. Tudo bem, eu tenho muito tempo, uma hora vem, mas mente quem não fica na ansiedade de achar algo que seja só seu.
Também é muito difícil copiar coisas dos outros, e acertar na mesma medida.
Talvez as pequenas diferenças que ficam quando você faz isso, seja o que vai definindo algo seu. Vícios e trejeitos, que você não consegue se livrar, e até quando não quer colocar isso no papel, sai.
O que vira é saber aproveitar cada pequeno detalhe.
O que é bom você usa, o que não serve para você acaba sendo descartado. E os dois acontecem naturalmente.
Desenho algo, e fico pensando sobre: como deve mudar, o que eu poderia continuar usando, o que eu já deveria ter descartado de vez... Muita preocupação à toa? Talvez, mas vamo que vamo.
Também tenho tentado ver os desenhos de outros artistas com mais atenção, de uma forma mais didática, acho, para ver se consigo entender como eles desenvolvem, como pensam nas coisas, e também para adotar alguns traços deles, para mim. O nome disso é copiar, mas parece que é socialmente aceito nesse meio loko das artes.
A conclusão que eu chego é que é muito difícil fazer coisas por você mesmo, definir um estilo próprio e isso ainda te agradar. Tudo bem, eu tenho muito tempo, uma hora vem, mas mente quem não fica na ansiedade de achar algo que seja só seu.
Também é muito difícil copiar coisas dos outros, e acertar na mesma medida.
Talvez as pequenas diferenças que ficam quando você faz isso, seja o que vai definindo algo seu. Vícios e trejeitos, que você não consegue se livrar, e até quando não quer colocar isso no papel, sai.
O que vira é saber aproveitar cada pequeno detalhe.
O que é bom você usa, o que não serve para você acaba sendo descartado. E os dois acontecem naturalmente.
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